É inusitado: com Pedro Parente receita da Petrobras não para de cair

A Petrobras assiste ao aumento da ociosidade de suas refinarias e vai se transformando numa exportadora de óleo cru.

 

Com a divulgação, na última quinta-feira (10/08), dos resultados do 2º trimestre de 2017, podemos verificar que apesar do crescimento expressivo de produção, à partir da posse de Pedro Parente (jun/2016) a receita da Petrobras vem sofrendo declínio consistente como nunca ocorreu na história da empresa. A tabela a seguir mostra a evolução :

 

Receita liquida de vendas – R$ milhões

 

2º tri 2016      3º tri 2016      4º tri 2016      1º tri 2017      2º tri 2017

     71.320            70.443            70.489           68.365            66.996

 

 

Tendo assumido a presidência da empresa com todos os poderes, em outubro de 2016 Pedro Parente anunciou uma nova política de preços que prometia paridade com os preços internacionais do petróleo e a manutenção do “market share” da Companhia.

De lá para cá, muitas alterações de preços foram feitas mas sem nenhuma explicação sobre os motivos e os efeitos destas alterações. Nenhuma transparência.

Informada por uma mídia que não contesta nada, a população brasileira ficou acreditando que o prometido na nova política de preços estava sendo cumprido à risca, beneficiando a Petrobras.

A realidade entretanto mostra que a Companhia perdeu parte expressiva do mercado interno de derivados, que passou para as mãos de importadores independentes.

 

Ora, então os poderes conferidos a Pedro Parente para o estabelecimentos dos preços dos derivados no mercado brasileiro não foi utilizado para eliminar a concorrência ? Por quê? Estas perguntas não foram respondidas.

Eliminar a concorrência de importadores independentes não é “bicho de sete cabeças”, para quem tem poder de estabelecer os preços. Basta olhar a política de preços do cartel das siderúrgicas brasileiras que por décadas, não permitem a importação de aço por terceiros, simplesmente estabelecendo preços no mercado interno que inviabilizam estas importações.

A Petrobras, em consequência, assiste ao aumento da ociosidade de suas refinarias e vai se transformando numa exportadora de óleo cru. As demonstrações financeiras trimestrais publicadas não são muito detalhadas, mas a tabela abaixo mostra a evolução dos números:

Volume de vendas de derivados e óleo cru (mil barris/dia)

                      2ºtri 2016    3º tri 2016    4º tri 2016    1º tri 2017       2º tri 2017

Mercado Int           2.109            2.008           2.001           1.951               1.933

Exportação               532               579              649              782                 659

 

Mas quem está sendo beneficiado neste processo ? As beneficiadas são as grandes importadoras de derivados ligadas aos grupos Ultra e Raizen.

Grupo Ultra é que proprietário da distribuidora Ipiranga e recentemente adquiriu a preço vil, a Liquigás. Grupo Ultra onde atuava, antes de vir para a Petrobras, o atual diretor financeiro, Ivan Monteiro.

Grupo Raizen, formado pela união de Shell com a Cosan (maior esmagador de cana de açúcar do mundo). Cosan, onde atuou por muitos anos o atual diretor de estratégias, Nelson Silva.

Ultra e Raizen são os maiores interessados na aquisição da BR Distribuidora. Portanto o que estamos assistindo é a Petrobras engordar o caixa destas empresas, para que elas adquiram seu principal ativo. É um escândalo.

No mais o que verificamos é que a Petrobras apresentou no 2º trimestre de 2017 um lucro pífio de R$ 316 milhões, ocorrido em função do lançamento não operacional apurado no ganho contábil de R$ 6 bilhões, pela venda da NTS.

Apesar de tudo a companhia mantem sua característica de forte geradora de caixa e uma situação financeira confortável.

 

Fonte: Cláudio da Costa Oliveira 

Economista da Petrobras aposentado

 

Data de publicação: 19/08/2017

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